A descoberta das formas no cotidiano

Desde muito cedo, as crianças observam o mundo com curiosidade e encantamento. No ambiente escolar, o trabalho com formas geométricas desperta o olhar investigativo e amplia a percepção sobre o que as cerca.
Elas passam a reconhecer padrões, contornos e estruturas presentes em tudo: nas janelas, nos brinquedos, nas frutas e até nas construções.

Aprender formas vai muito além do desenho no papel. Trata-se de uma experiência sensorial e concreta, que estimula a percepção visual, a coordenação motora e o raciocínio lógico.
Dessa forma, a criança constrói conhecimento de maneira prazerosa e significativa, enquanto amplia sua capacidade de observar e relacionar.

O olhar montessoriano sobre as formas

Na abordagem montessoriana, o aprendizado das formas ocorre do concreto para o abstrato.
Primeiro, a criança explora os objetos por meio da manipulação; depois, internaliza os conceitos.

Entre os materiais utilizados estão:

  • Caixas de encaixe geométrico (círculo, quadrado, triângulo);
  • Sólidos geométricos (esfera, cubo, cilindro, pirâmide);
  • Cartões de figuras planas (círculo, retângulo, triângulo, oval).

Esses materiais favorecem a descoberta ativa e concreta.
Por isso, a criança aprende com autonomia, integrando o movimento das mãos com o pensamento.
Enquanto explora, ela desenvolve o raciocínio espacial e constrói as bases para aprendizagens futuras.

O que a criança desenvolve

Ao explorar as formas geométricas, a criança desenvolve uma série de habilidades fundamentais.
Entre elas estão:

  • Perceber semelhanças e diferenças entre objetos do cotidiano;
  • Ampliar o vocabulário geométrico, nomeando lados, cantos e curvas;
  • Aprimorar a coordenação motora fina ao recortar, colar e montar figuras;
  • Construir noções de espaço e localização, essenciais para a orientação no ambiente;
  • Fortalecer a atenção, a concentração e o raciocínio lógico, habilidades que se estendem a outras áreas do conhecimento.

Consequentemente, o contato com as formas contribui para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança.
Além disso, proporciona momentos de cooperação, diálogo e descoberta conjunta.

A presença das formas na BNCC

O estudo das formas geométricas está contemplado no campo de experiência “Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações”.
Esse campo orienta o educador a oferecer vivências que favoreçam:

“O reconhecimento de formas, tamanhos e medidas, explorando objetos e materiais de diferentes naturezas.”

Assim, o aprendizado ultrapassa o conteúdo matemático e torna-se um meio para compreender o mundo, explorando relações espaciais e estruturais.
Portanto, trabalhar com formas não é apenas ensinar geometria, mas estimular o pensamento científico e a observação atenta.

Atividades práticas e significativas

Para tornar esse aprendizado ainda mais prazeroso e concreto, o professor pode propor:

  • Caça às formas: as crianças exploram o ambiente e encontram objetos com a mesma forma;
  • Arte geométrica: criação de composições com recortes coloridos;
  • Montagem com sólidos geométricos: construção de torres, casas e cidades;
  • Modelagem com massinha: formação de círculos, triângulos e quadrados;
  • Costura geométrica: passar fios em moldes de papelão, estimulando foco e coordenação.

Além disso, é interessante propor desafios simples, como montar figuras conhecidas utilizando diferentes formas.
Dessa maneira, o aprendizado torna-se ativo, visual e envolvente.

Reflexão pedagógica

“Quando a criança manipula, observa e cria com as formas, ela não apenas aprende geometria, mas também aprende a olhar o mundo com novos olhos percebendo a beleza que existe na ordem, na simetria e nas pequenas descobertas do cotidiano.”

Em síntese, as formas geométricas não são apenas conteúdos escolares: são caminhos para desenvolver o raciocínio, a sensibilidade estética e o prazer em aprender.